Segue o tempo…

     Com o fim da República Velha e a posse de Getúlio Vargas em 1930, os sindicatos assumem o papel de legítimos defensores de suas categorias de trabalhadores. A então Associação dos Cirurgiões-Dentistas transforma-se no Syndicato Odontológico Brasileiro (com y mesmo), com sede provisória na rua dos Ourives, 52, no Centro, sob a presidência de Aristóteles Coutinho. Sustentando o lema “É dever de todo o cirurgião-dentista fazer parte do Sindicato Odontológico Brasileiro, o grande baluarte da classe!”. Mais tarde transferiu-se para avenida Presidente Wilson, 118, 1º andar, sendo então presidido pelo então professor Chryso Fontes.

     Em 11 de abril de 1931, Getúlio Vargas edita o decreto 19.852, surgindo assim a figura do dentista prático, sem formação teórica e técnica dos quais muitos eram analfabetos. A decisão de Vargas tinha fins unicamente eleitoreiros.

     Em 22 de fevereiro de 1932 é editado o decreto 21.073 que regula definitivamente o exercício da odontologia pelos dentistas práticos licenciados no Distrito Federal.

     A guerra estava declarada.

     De Norte a Sul, de Leste a Oeste, os cirurgiões-dentistas unem-se contra a ilegalidade da ditadura Vargas. O Sindicato Odontológico Brasileiro agiganta-se. O Palácio do Catete, sede do Governo Federal, passa a ser freqüentado por comissões de cirurgiões-dentistas do sindicato exigindo de Vargas a revogação do decreto que amparava a figura do prático licenciado.

     Em 1932 é fundado o Instituto Brasileiro de Estomatologia do Distrito Federal, com sede na avenida Mem de Sá, 197, presidido por Carlos Newlands e tendo como secretário geral Plinio Senna, um dos fundadores do sindicato.

     As décadas de 30 e 40 são marcadas por campanhas, denúncias e crises envolvendo desde a reforma no ensino odontológico, fraudes nas eleições sindicais, disputas por cargos na faculdade de odontologia da Universidade do Brasil e o apadrinhamento para ingressar no serviço público.

     A campanha contra os práticos porém, constitui-se na grande bandeira da luta sindical.

     Levantam-se as vozes das lideranças jovens e combativas que, com seus artigos, ocupam as páginas dos principais jornais da época como o Imparcial, o Diário de Notícias, o Jornal do Brasil, o Diário Carioca, O Globo, a Vanguarda, O Radical, A Noite, a Folha da Manhã, a Pátria, entre outros.

     Nomes como o de Nathaldo Borges Alexandre, Ernesto Salles Cunha, Silvestre G. Filho, Pascoal M. Coutinho, Plinio Senna, Aristóteles Coutinho, Seabra Júnior, Orlandino Prado, Xavier de Britto, Abelardo de Britto, José de Luca, Frederico Eyer, Alexandrino Agra, Francia Junior, Julio Ferreira Caminha, Ferreira Alves, Agrippino Ether, Hidelbrando Braga,Chryso Fontes, Lauro S. Rosado, Fernando Soares Brandão, Joaquim Ottoni Benedito Júnior, Wladimir Pereira de Souza, Orlando Chevitaresse, Charley Fayal de Lyra, Antônio Ribeiro Filho e tantos outros transitavam nas redações e nos corredores dos governos, da Câmara Federal e do Senado determinados a consolidar o exercício legal da odontologia nas bases técnico-científicas adquiridas na universidade.