Nathaldo, o aguerrido

     Na batalha pelo fim do dentista prático, sobressai em 1933, o episódio em que o então presidente do sindicato, Nathaldo Alexandre, um ferrenho defensor da odontologia científica, solicita ao ministro da Marinha informações sobre a contratação de um dentista prático nomeado para exercer suas funções nas Escolas de Aprendizes de Marinheiro no estado de Pernambuco.

     Na resposta, o então vice-almirante Tancredo Gomensoro, Diretor Geral do Ensino Naval, dá uma justificativa pouco convincente que provoca no presidente do Sindicato Odontológico Brasileiro uma indisfarçável decepção.

     Em 1934, Frederico Eyer expõe a Nathaldo Alexandre sua pretensão de concorrer a uma vaga de deputado federal para ampliar a luta contra os práticos. A análise do quadro político da época e o apoio ao candidato feito por Nathaldo, constituem-se numa obra-prima da historiografia odontológica, expressa em carta de 10 de novembro de 1934 que encontra-se nos arquivos do SCDRJ.

     Nathaldo foi, juntamente com outros importantes sindicalistas da época, um dos mais destacados responsáveis pelo fim do prático licenciado, o que só ocorreu bem mais tarde, quando a maioria desses combatentes já estavam aposentados.

As trevas da República

     Em maio de 1943, em plena ditadura Vargas é editada a Consolidação das Leis do Trabalho, subordinando os sindicatos à tutela do Estado.

     Durante os anos seguintes, o Brasil viveu inúmeras e intensas convulsões político-sociais, tendo os sindicatos o papel de agente catalisador da maioria delas. Os trabalhadores ganham força no contexto nacional, conquistando leis importantes que perduram até hoje.

     Em 1964, instala-se um regime de exceção que suprime os direitos individuais, fecha o Congresso Nacional, invade os sindicatos submetendo suas atividades a rigoroso controle: são os tempos de chumbo.

     Sob a denominação de Sindicato dos Odontologistas no Estado da Guanabara, o sindicato tem seus estatutos, sua contabilidade e suas eleições controladas pelo Ministério do Trabalho, período em que volta suas ações para realização de congressos, festas sociais e atividades dissociadas das lutas trabalhistas.