Sindicalismo tutelado

José Roberto Gomes Corrêa*

     A manipulação dos trabalhadores pelo Ministério do Trabalho é antiga.

     Ao longo dos anos, a massa trabalhadora, sempre serviu como uma espécie de correia de transmissão dos partidos políticos e dos governos.

     Ainda que no texto da Constituição de 1988 a tutela do governo sobre os sindicatos tenha sido suprimida, o que se verifica na prática continua inalterado; ou seja, a criação, o funcionamento e a sobrevivência dos sindicatos dependem do controle exercido pela Secretaria de Relações do Trabalho que tem poder de manter ativa ou inativa a entidade sindical.

     A marca registrada do sindicalismo brasileiro é, com raras exceções, seu atrelamento aos governos, o que vale tanto para o sindicalismo patronal como de empregados. Contraditoriamente, esta realidade, intensificou-se a partir do governo Lula e seus aliados, vulnerabilizando as conquistas sindicais e ampliando drasticamente as práticas de corrupções em todos os setores do mundo do trabalho.

     Um exemplo desta constatação é a criação indiscriminada de sindicatos-fantasmas nos últimos dez anos cujo único objetivo é a arrecadação da contribuição sindical (antigo imposto sindical). De modo geral não possuem sedes, não realizam acordos coletivos nem eleições, mas apresentam-se como legítimos representantes dos trabalhadores que são vítimas de cobranças igualmente fantasmas.

     O episódio do fanfarrão ministro do Trabalho Carlos Lupi, acusado de todo tipo de corrupção, é apenas a ponta do iceberg. Por trás deste biombo existe uma intrínseca rede de toma-lá dá-cá e desvios de verbas públicas de fazer inveja a quadrilha do mensalão.

     Confederações, federações e centrais sindicais vivem a tripa-forra, gastando fortunas em congressos, encontros, conferências que em nada beneficiam o trabalhador. Porque será que as centrais sindicais não promoveram uma passeata exigindo o afastamento de Lupi?

     O loteamento dos ministérios, nos moldes da política tradicional, está custando lágrimas de sangue a presidente Dilma. Tudo se repetindo.

     Enquanto isso, os aposentados amargam reajustes de suas aposentadorias abaixo do reajuste do salário mínimo e o mercado de trabalho reduz a cada ano.

*Presidente do Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas no Estado do Rio de Janeiro